Li uma ruma de coisa
No comecinho do ano eu já tinha falado sobre o desânimo que estou com o blog. Eu gosto de escrever, gosto de compartilhar minhas opiniões inquietas por aqui, mas a responsabilidade de obrigar a escrever sobre tudo tem sido desestimulante.
Só que eu ainda quero, minimamente, deixar registrado algumas coisas. Assisti várias séries: terminei umas, recomecei outras, dei mais uma chance para aquela lá... Mas nada que eu sinta a menor vontade de compartilhar por aqui. Já as leituras são o que mais me pego querendo voltar. Tenho a sensação que eu não terminei de ler completamente a obra se eu não concateno as palavras em um textinho resumindo os pensamentos. Também, no fim do ano passado, foi muito legal reler tudo que eu pensei sobre o que eu li, se é que isso faz sentido.
Então, segue um breve resumo das leituras dos últimos meses:
Do Inferno: mais um excelente quadrinho do Alan Moore. A trama perpassa a história do Jack Estripador, essa figura meio mitológica, meio real que vive no imaginário contemporâneo. A obra é visualmente deslumbrante como um enorme passeio pela Londres do século passado, regada com muitos insertes históricos seja da cidade, da arquitetura e das sociedades secretas que ali nasciam.
Metamorfose: daqueles clássicos que eu nunca tinha lido. Peguei uma edição nessas feirinhas de livro de shopping e li em 2 noites. Acho que nesse eu precisei de algumas horas refletindo sobre a trama. De certa maneira, uma fábula moderna. Ao mesmo tempo que a narrativa é bem direta e simples, temos várias camadas de subtextos sobre o papel do trabalho na sociedade, papel do homem numa sociedade patriarcal, utilitarismo da vida, etc. Realmente recomendo a todos conhecer este conto.
Mayara e Anabelle: talvez a melhor descoberta do ano até agora. Quadrinho cearense de duas super-heroínas brasileiras (talvez as maiores) que enfrentam criaturas sobrenaturais tipicamente regionais. Trouxe-me um mix de sentimentos: seja por elas serem servidoras públicas, pelas aventuras acontecerem nos locais que nasci e me criei, pelo carisma dos personagens... Realmente fiquei muito impressionado com a criação e entrega. Um destaque para a colorização da obra que é um deslumbre a parte.
Devoradores de estrelas: ficção científica de altíssima qualidade. Daquelas que me fez entrar madrugada adentro de tão vidrado que estava na leitura. Assisti o filme e achei que a adaptação conseguiu adaptar brilhantemente a estória, mesmo achando que a parte de profundidade científica (que eu adorei mas não tem no filme) tenha sido das coisas que mais gostei no livro.
Dia de Julio: quadrinho de autor premiadíssimo que tinha uma expectativa alta antes de ler. Uma mistura de Forrest Gump com Cem anos de solidão. Da hora, li em uma sentada, mas não consegui me envolver emocionalmente com a narrativa.
Alguma de suas verdades ainda moram em mim: quando li Damasco, do mesmo autor, fiquei impressionado com a maestria do autor na linguagem. Mais uma vez Alexandre me surpreendeu com a variedade das técnicas utilizadas para contar histórias diversas. Esta obra trata-se de uma série de contos explorando relações de pai e filho a partir das nuances da rotina. Fiquei particularmente tocado com a "Saudações vascaínas".
Amanhecer na colheita: na adolescência eu não li Harry Potter nem Senhor dos Anéis, a saga que me pegou foi Jogos Vorazes. Mesmo hoje não achando lá essas coisas todas, guardo um afeto nostálgico. Tipo minha relação com as histórias do Robert Langdon 🤣 Voltar a Panem foi uma experiência interessante mas frustrante. Parece a mesma história do primeiro livro, só com a desvantagem de estragar um personagem que eu já gostava anteriormente. Defeitos enriquecem os personagens. Criar justificativas para amenizar os defeitos dos personagens sempre soa forçação de barra. Vou ver o próximo filme mas não sei se volto.