Esses dias, conversei com meu terapeuta sobre como não sei lidar com a morte. Como uma criança foge da própria sombra, corro deste tema e ele sempre me alcança. Narrei um evento da adolescência que sempre me recordo nesses momentos: chegando da escola minha mãe contou que a vó de um amigo muito próximo tinha falecido e que seria importante eu passar lá para confortá-lo. Eu, que apesar de até aquele momento, já havia perdido meus dois avós enquanto criança, pouco entendia sobre a morte. Pior, pouco entendia sobre o luto.
Eu passei lá, estive lá, mas não soube como adentrar naqueles meandros para permitir, de qualquer maneira, aliviar aquela dor que tanto o afligia.
Não sabia exatamente o que dizer. Eu sabia frases que eu já tinha ouvido que eram utilizadas para preencher aquele silêncio pesado: “Ela está em um lugar melhor”, “Deus sabe de todas as coisas”, “Agora ela está em paz” que quem me conhece minimamente sabe que eu não acredito. Contudo, o que eu acredito tampouco serve para ser utilizado nestes momentos tão delicados. Logo, não disse nada.