Um blog em 2025?

É isso aí! Seguindo o meme Rejeite a modernidade, abrace a tradição resolvi criar um blog em pleno 2025. Mas por quê? 2 motivos me levaram a essa decisão:

Cansei de redes sociais

Como bem disse o MarechalMC :

Não consegue aprender que as rede são pra prender
Tudo é Facebook e os livro na cara, cadê? Tu não vê

Quem me conhece mais de perto sabe que não tenho uma relação muito boa com smart-coisas e redes sociais. Quando meu filho nasceu, passei alguns anos sem usar celular e foi realmente uma experiência transformadora. Hoje, não acho que posso dar-me esse luxo novamente, porém sempre procuro modificar minha maneira como lido com essas tecnologias que tomaram conta das nossas vidas.

Sem querer ser saudosista, mas acho que o hábito de “entrar e sair” da internet deveria ter se mantido. Acho que em algum momento você já deve ter sido informado que estamos cada vez mais manipulados, e ansiosos, e solitários, e bitolados… Não digo apenas no sentido das grandes-tecs estarem nos usando para humanizar seus robôs ou usando os seus algoritmos para nos robotizar, como bem descreveu o documentário O Dilema das Redes Sociais , mas da mudança comportamental imposta pela centralização da interação virtual a partir de plataformas com interesses meramente monetários. Recomendo fortemente que escutem este podcast: Manual prático para retomar sua atenção do calabouço das redes sociais . Guilherme Felliti consegue descrever, com um texto majestoso, as zonas de cinza que as tecnologias geram enfeitadas de laços cor de rosa.


Para uma pessoa que mora a mais de 3 mil km de distância dos parentes e conterrâneos, a comunicação pela internet é algo mágico e indispensável. Mas acompanhar o que está acontecendo com as pessoas que gosto está a mercê do que o Instagram resolve me entregar naquele dia. A Meta que decide qual novidade eu devo ver, qual a mais importante. Decide que o publi do influenciador tal deve vir antes da formatura de um parente. Deveria?
Quais opções nós temos? Por isso um blog, se você quiser saber o que eu ando lendo, assistindo, pensando, basta você entrar no meu espaço da internet.

Também recentemente, comecei a usar o Reddit e me encontrei novamente com a internet que se discutia assuntos e não pessoas. Uma rede social sem influenciadores, sem stories, sem reels, apenas conteúdo e debates.
Um lugar onde pode-se navegar na internet e se aprofundar nessas águas, não apenas naufragar em conteúdos rasos e superficiais que cabem em 144 caracteres (ou um storie com fundo rosa-choque e textos em caixa alta). Acontece que, NMHO, a anonimidade é importante para o bom funcionamento do reddit . Pra quem não conhece, você pode comentar e criar tópicos sobre qualquer assunto pelos canais (r/) dos mais diversos temas, mas estes conteúdos ficam relacionados e atrelados ao seu perfil. Então, a distinção entre público e privado acaba ficando bastante deturpada, podendo gerar tretas sobre as opiniões que você emite.

Poder avaliar e reavaliar

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades

Gosto de emitir opiniões dos conteúdos que ando consumindo. O que ando lendo; o que ando assistindo; qual jogo eu joguei esse final de semana e o que eu achei dele; as relações malucas que faço entre um documentário e um álbum de rap (essa tá no meus destaques no instagram … Não apenas para poder conversar com as pessoas sobre isso, mas afim de registrar e, no futuro, entender melhor o Eu do passado. O que eu achei mesmo daquele livro? Por que eu gostei tanto daquela série? Acontece que acho terrível o instagram pra isto, tanto pra se postar, quanto pra se consumir.

No âmbito de criar o conteúdo:

Tudo é estimulado a ser supérfluo, temporário, raso.
Eu, na grande maioria das vezes, não sinto vontade de compartilhar nada além de uma foto desfocada e um texto genérico. As vezes que eu tentei aprofundar em algum assunto, optei por gravar vídeos falando com a câmera mas o formato não me agrada.
Opinião não precisa de um rosto, precisa de congruência.
A ausência de hyperlinks (sim, essa tecnologia revolucionária) não permite você concatenar informações, pois para a Meta é mais importante que você se mantenha preso ao aplicativo deles.

E na perspectiva de consumir o conteúdo:

É ainda pior! Sabe aquela indicação de filme legal que seu amigo fez? Sumiu depois de 24h. O restaurante que seu colega foi no mês passado ficou perdido no tempo e espaço.
Já tentou buscar um conteúdo que você mesmo postou 2 anos atrás? É triste. Ou de um amigo seu? Quase impossível.

Então, é isso que pretendo fazer por aqui: um aglomerado de registros sobre coisas que julgo interessantes e gostaria de deixar registrados para mim (e para os outros) ao longo do tempo.

Brega, vintage, old school, um mero frivião?
Veremos(ou não) nos próximos capítulos.