Tirando a poeira
Vocês têm sótão? Ou aquele quartinho da bagunça? Quem tem procurado casa ultimamente tá ligado que tá cada vez mais difícil...
Mas guardam coisas debaixo da cama? Escondem algo no fundo do guarda-roupa?
Eu já fiz tudo isso.
Não me considero um acumulador (acho que nem os acumuladores se consideram) mas tenho o hábito de guardar coisas para usar depois.
Essa semana, as vésperas de mais uma mudança, me peguei relembrando da existência de várias dessas tranqueiras armazenadas sem um propósito direto.
Nesse meio, entre uma chave-de-sei-lá-o-quê que usei 3 vezes na vida e o pedaço de eletrônico velho que eu pretendo depenar, lembrei do blog.
Gosto de emitir opiniões dos conteúdos que ando consumindo. O que ando lendo; o que ando assistindo; qual jogo eu joguei esse final de semana e o que eu achei dele; as relações malucas que faço entre um documentário e um álbum de rap [...] Não apenas para poder conversar com as pessoas sobre isso, mas afim de registrar e, no futuro, entender melhor o Eu do passado. O que eu achei mesmo daquele livro? Por que eu gostei tanto daquela série? Um blog em 2025?
É paradoxalmente esquisito mas eu gosto mais de ler o que eu escrevi do que escrever. Parece algo piagetianamente egocêntrico mas quem concorda mais comigo do que eu mesmo?
Tá, vou deixar essa parte para lidar na terapia...
Tenho para mim que as pessoas que, neste nicho, aqui acompanham essas notas mentais também gostam de colocar as ideias para fora, mas caso contrário, se você que aqui está lendo não tem o hábito de escrever, fica aqui a forte recomendação. Nada ti traz mais clareza sobre os seus pensamentos do que materializá-los fora da sua cabeça. Não precisa parar tudo que está fazendo e criar um blog. Pega uma caneta, um papel e escreve 2 parágrafos sobre algo que está na sua mente. Guarda numa gaveta e esquece.
Esse blog virou minha pequena gaveta no mundo. Tenho textos que me orgulho bastante, outros que estão aqui para me lembrar o que não fazer novamente. Mas os textos que mais me incomodam são aqueles que não escrevi ou que estão marcados como "rascunho". Eu não consigo voltar para o meu "Eu" do passado e documentar os sentimentos daquela época. Assim como aquele brinquedo que ficou de canto por anos, você passa um pano úmido e ele parece novinho novamente, mas brincar com ele não traz mais o mesmo júbilo.
Venho nesta postagem colocar os textos no Sol para tirar o mofo.
Colocar água naquela ideia que já está murcha e flácida.
Temperar e misturar aquela provocação esquecida na geladeira.
Enfim, quero sacudir digitalmente este reservatório inquieto de pensamentos e voltar a fazer o que tanto amo, conversar comigo mesmo durante o tempo.